O olho rútilo e a baba elástica e bovina do crioulo gritando a plenos pulmões: MENGO!

quinta-feira, 30 de abril de 2009

O destemperado?

Antes de falar de Juan, que se tornou o novo menino mau do futebol, queria falar de Diego Souza, do Palmeiras e as cenas bizarras em que o meia se envolveu há cerca de duas semanas...

Não há dúvida alguma que o meia palmeirense desmonstrou total destempero em suas atitudes naquela partida. No entanto, caberia pensar aqui no que teria levado-o a tomar tal atitude.

Vamos então voltar no tempo...

O jogador está discutindo com o técnico santista, que lhe faz provocações, no momento em que se faz a substituição, e ocorre a entrada do zagueiro Domingos. Mal este entra em campo, ele vai diretamente e diz qualquer coisa no ouvido de Diego Souza, que lhe responde. O juiz expulsa os dois. Então, o jogador santista se atira no chão, simulando um golpe de Diego em seu rosto. Diego se irrita e parte em direção ao jogador, dizendo-lhe qualquer coisa. Aí a cena se complica. Diego não se conforma com a simulação engendrada por Domingos. Fica transtornado. Aliás, nunca vi algo do tipo, Diego parece louco, tamanha a sua irritação, não consegue ser contido pelos colegas. Já expulso, sai de campo, transtornado com Domingos. No entanto, quando a coisa parece finalmente resolvida, ele volta a campo e, finalmente, agride Domingos com um pontapé...

* * *

Eu tenho uma teoria...
Aliás, todo mundo tem uma teoria... Alguns têm coragem de exprimí-la...

Guardadas as devidas proporções, esse lance lembrou muito o lance de Zidane com Materazzi. O que teria feito Zidane perder (ou usar?) a cabeça daquela forma, sendo expulso naquele que poderia ser o jogo mais importante de sua vida? Não sei...

Diego aguentou o que podia ouvir, de Vágner Macini, técnico do Santos, de Domingos, de quem fosse. Não podia aguentar a mentira de ser acusado de agredir alguém quando não o fizera. Ficou transtornado. Parecia a implorar a Domingos que se levantasse, que não fizesse aquilo com ele. O mal já estava feito, ele estava expulso, o Palmeiras perderia o jogo, mas não aceitaria de modo algum uma mentira como aquela. Insistiu, brigou, implorou pedindo que ele não fizesse aquilo. Mas Domingos fez... Tanto fez que Diego, no auge do desespero toma a atitude final: "Ah, então tá bom! Eu te dei porrada, né? Então toma!!!". No auge de seu desespero, Diego faz aquilo que justamente dizia não ter feito: agride Domingos!

Pronto! Eis a obra! Eis o Homem!

Diego Souza, bom jogador, cujo futebol admiro, pela força física, chute forte, poder de marcação e talento. Cria de Xérem, mas com boas passagens por Flamengo e Grêmio, faz uma cagada sem tamanho que pode nos privar de suas virtudes...

Mas será que é correto acharmos que os desportistas tem que ser máquinas que só conhecem a virtude? Não são eles seres humanos sujeitos a qualquer destempero como nós?

Eu defendo Diego Souza com base na minha teoria: tudo tem um limite! Não é possível alguém me acusar de algo que não tenha feito. Como diria Elias Maluco, "Perdi, mas não me esculacha!"

Abraços

Viva o drible!!! Viva a catimba também!!! ou "O que disse Juan a Maicosuel"???


Eu não aprovo o comportamento do lateral do Flamengo Juan... Mas entendo...

Discutia com uma amiga chorafoguense que insistia que o Juan deveria ter sido expulso de campo no lance com o Maicosuel (aliás, que nome é esse??? Eu aturo os muitos "Maicons", mas os pais deste rapaz realmente superaram qualquer expectativa). Entre um suspiro e outro, ela argumentava racionalmente que o comportamento de Juan era uma conduta "antidesportiva". Argumentei que a falta cometida não fora lance para cartão vermelho (não foi mesmo, ele chega atrasado, mas não tem intenção de agredir o Maicosuel) e que o comportamento de Juan, embora ríspido não era possível atribuir a ele sequer um xingamento ao habilidoso meia-atacante do Botafogo. O cartão amarelo ficou de bom tamanho...

Insistia a minha amiga que o drible não fora humilhante... Aí eu discordo... Todo drible é humilhante! E só os pernas-de-pau não fazem recurso ao drible. É da natureza do drible humilhar o adversário... É bem verdade que há situações onde a humilhação é maior: o "chapéu," a "caneta" ou "ovinho", o "elástico" desconcertante, como o clássico drible de Rivellino em Alcir ou de Romário em Amaral, o "drible da foca" do Kerlon... As "embaixadinhas" se encontram num nível distinto, são uma demonstração de habilidade inútil, mas não deixam de enquadrar nas diversas formas de humilhar e vilipendiar o adversário. É da natureza do (bom) futebol humilhar o próximo... Mesmo quando não se quer, estamos humilhando o outro ao aplicar-lhe um drible, ao impingir-lhe uma derrota.

Aliás, toda essa polêmica em torno da atitude do Juan me lembra exatamente o lance que envolveu Kerlon e os jogadores do Atlético Mineiro. A entrada de Coelho no corpo de Kerlon, não visava a bola, mas simplesmente atingir o jogador do Cruzeiro. E o lance de Kerlon não parecia um drible inútil, mas progredia em direção à grande área para levar perigo ao gol do Atlético. Violência de Coelho? Estou de acordo, a entrada dele não foi apenas para deter o jogador, ele poderia simplesmente parar diante do jogador do Cruzeiro e cercar. Não ele vai com o corpo, com o cotovelo, com tudo sobre Kerlon.

Lembro-me que então muitos condenaram Kerlon pelo seu drible, cuja intenção se limitaria a impingir uma humilhação ao adversário. Insisto, todo drible é humilhante, há os mais humilhantes e os menos humilhantes.

Agora, querem inventar uma "punição preventiva". Isso é mais ou menos como "prender alguém sem julgar". Alguns argumentarão que há a "prisão preventiva", de fato, quando há o chamado "flagrante delito" ou quando há evidências notórias de que o criminoso pode se evadir do país e que sua culpa seja comprovada. Mas como dizer que Juan é culpado de alguma coisa? Culpado de quê? De passar um sabão no seu colega de profissão?

Ora bolas, alguém imagina que em alguma partida de futebol as pessoas passem o tempo trocando gentilezas: "Nossa, que belo uniforme!", "Que perfume é esse que você está usando?", "Essa chuteira fica superbem em você". Se Juan exprimiu em gestual intenso seu desagrado com Maicosuel, ele não o fez em alto e bom som - não pode ser dito que ele tenha xingado ou ofendido o jogador alvinegro (não consta que nenhum microfone ou a famosa leitura labial do Fantástico, tenha descoberto o que disse Juan a Maicosuel) .

Ao ler o livro de Roberto Sander sobre os anos 40 no futebol, a década sem Copas do Mundo, ele fala exatamente das diferenças entre o futebol brasileiro da época e uruguaios e argentinos, de quem nós brasileiros éramos fregueses de caderno. Além de bom futebol e organização tática, eles tinham exatamente aquilo que sempre nos gabamos: malandragem. Só que o que eles tinham era chamado de "catimba" por nós e autodenominada por eles como "milonga". Juan não foi malandro, mas quis "botar moral", dizer para Maicosuel que "não tem galo que cante no meu terreiro, me respeite".

Portanto, como disse, não aprovo o que Juan fez, mas entendo perfeitamente.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Ele voltou...


"Ele voltou, o boêmio voltou novamente Partiu daqui tão contente por que razão quer voltar"

Sim, ele voltou...

Não falo de qualquer um... Pelo contrário... Aliás, eu teria muitos motivos, como torcedor do Flamengo, para nunca mais falar dele. Mas eu também sou seu fã. Fã de seu futebol e de sua obstinação, de sua imensa capacidade de dar a volta por cima de situações mais do que adversas.

Estou falando de Ronaldo Fenômeno... Aliás, já algum tempo chamo-o carinhosamente de Ronaldo "Gordo". Não da forma pejorativa que os outros utilizam, mas pelo contrário, como um elogio. Ronaldo é gordo, mas é craque... Quero-o sempre gordo e sempre craque...

Na verdade, Ronaldo não partiu contente como o boêmio do clássico de Nelson Gonçalves...

Ele desceu aos infernos e caminhou pelas trevas... Teve seu talento e sua condição de "Fenômeno" questionados. "Ronaldo não é um craque". Alguns me diziam até que nunca tinham visto uma grande atuação dele...

A comparação é pesada, eu sei... Mas pouco antes da Copa de 70, Pelé era considerado velho demais para disputar um outro mundial. Seria a quarta Copa do Mundo do Rei do Futebol, e muitos diziam que ele já não era mais o mesmo, chegou-se a dizer que Pelé estava míope...

Zico sofreu muito com a sua contusão no joelho. Uns e outros também questionaram o grande craque, especialmente por conta do penalti perdido contra a França em 1986. Nem se lembravam que Zico voltou a cobrar um penalti naquela tarde e converteu, na disputa de penaltis e que o grande vencedor do dia, o craque francês Michel Platini errou sua cobrança.

Assim Ronaldo foi questionado. Envolveu-se em escândalos inexplicáveis como o caso dos travestis, confusões em boates, fofocas. Cigarro na mão, copos de bebidas, o craque nem podia respirar um momento, pois tudo se falava de Ronaldo, menos de seu futebol.

Mas Ronaldo é um exemplo para nós. Queiram ou não a sua capacidade de se recriar quando todos o dão por vencido e derrotado é mesmo impressionante. Há pouco menos um ano atrás acreditava-se que Ronaldo estava acabado para o futebol, que não voltaria jamais a jogar.

Pois ele voltou...


E sinceramente, o futebol agradece a volta de Ronaldo e sua volta por cima, fazendo dois gols em uma final de campeonato, um deles de puro oportunismo, de senso de colocação, de inteligência e de muita sorte. Aliás, como tem sorte este rapaz. Mas Ronaldo também tem competência e talento, Ronaldo é craque, e o segundo gol dele na partida é a prova cabal de seu incrível talento: um drible e um toque magistral por cima do goleiro.

Talvez com o passar dos anos Ronaldo possa ter deixado de ser um "fenômeno", talvez seja apenas um centroavante "normal", "comum" como qualquer outro. Porém, para mim ele sempre será um fenômeno, um ídolo, um verdadeiro herói do futebol, uma espécie de "guerreiro imortal", que a cada vez que tentam matá-lo, ele volta ainda mais forte, ainda mais poderoso...

"Impávido que nem Muhamed Ali, apaixonadamente como Peri
Traquilo e infalível como Bruce Lee"

Este é Ronaldo!


domingo, 26 de abril de 2009

Mocinhos e bandidos...


Na última postagem terminei dizendo, citando Aldir Blanc, que "toda fita em série que se preza acaba sempre no melhor pedaço". Falei também de "mocinhos e bandidos de bangue bangue".

Vamos falar sério... Um dos maiores méritos da trilogia "Star Wars", a legítima e primeira série, formada por "Guerra nas Estrelas", "O Império contra-ataca" e "O Retorno de Jedi", foi exatamente recuperar o sentido das antigas fitas em série: os revéses dos heróis ajudam a construir a sequência da história. Ou seja, no segundo filme da série, depois da gloriosa derrocada da Estrela do Mal e da vitória parcial da revolução republicana, o Império e Darth Vader retornam vitoriosos: Han Solo é congelado, Luke perde uma das mãos, tudo parece estar perdido...

Em "O Retorno de Jedi" recomeça a luta dos revolucionários contra o Império: primeiro recuperar Han Solo, depois os fracassos relativos no planeta verde dos Ewoks, mas a vitória final com a redenção de Anakin Skywalker ajudando o filho Luke a derrotar o Imperador malvado...

Eis a saga do tricampeonato rubro-negro...

O Chorafogo mereceu vencer? É justo dizer que em dado momento o Botafogo esteve mais próximo de consolidar sua vitória do que o Flamengo empatar o jogo. Sim, é verdade...

Mas quando eu digo que o Flamengo é uma força cósmica poderosa, lembro de um lance no jogo contra o Vasco, no nosso Pentacampeonato Nacional, quando Cássio arranca livre pela esquerda... É gol certo do Vasco, um contra-ataque perfeito... Então, por obra dos deuses rubro-negros, o voluntarioso lateral bacalhau tem uma distensão muscular e a bola sobra tranquila para o goleiro Gilmar.

Ora, nada mais óbvio: tem que haver emoção, é certo, mas o mocinho deve prevalecer no final...

Portanto, sigo aqui, tranquilo, apostando caixas e mais caixas de cerveja dominicana (prefiro a Prestige haitiana, mas os outros não) no meu Flamengo, o mocinho do filme.

Não importa o que tenha havido, no final, os mocinhos têm que vencer.


O Flamengo será campeão...


Abraços

segunda-feira, 20 de abril de 2009

O olho que enxerga de muito longe ou "São eles os vilões"



Houve um tempo em que Nelson Rodrigues, já perto do ocaso de sua vida, pouco enxergava das partidas de futebol, e nem por isso deixava de publicar suas crônicas no Jornal dos Sports. Ia sempre com alguém do lado, que lhe descrevia o jogo e o o que acontecia. Ele então, sentava à máquina e mandava a crônica do dia seguinte. Não sei se isso é verdade. Acho que li em "O Anjo Pornográfico", de Rui Castro...

Não importa. Importa é que depois de quase dois anos no Haiti, vi poucas vezes o Flamengo jogar. E nem importa que eu tenha conseguido através de alguns sites de internet ver trechos de jogos ao vivo ou os melhores momentos no globoesporte.com .

Importa que de longe estou sempre enxergando os jogos do Flamengo, como Nelson acompanhava os jogos no Maraca.

E hoje foi lindo...

A massa, mais uma vez acreditou, lembrando os jogos de dois anos atrás, quando começamos a cantar o tema da vitória e aquela arrancada linda do rebaixamento à vicê liderança do Brasileiro e à Libertadores.

Não importa também que tenha havido situações vexatórias como a derrota para o América do México, ou os jogos contra o Atlético-MG, contra a Portuguesa e contra o Goiás, ou contra o Resende neste carioca... Para mim pouco importa...

Meu amigo Jão costuma dizer que meu otimismo rubro-negro é exagerado. A culpa é do Zico...

È, a culpa é do Zico que fez acreditar que o Flamengo é sempre imbatível... E quando ele está batido é porque ainda não terminou. E para mim, nunca termina, só quando o Flamengo vence.

Eis o time que desceu aos infernos na Quarta-feira de Cinzas e ressuscitou no terceiro dia do domingo de Páscoa. Agora, ele caminha a dois passos do Paraíso, de subir aos céus e sentar à mão direita de Deus Pai todo poderoso (perdoem a blasfêmia) de onde há de ocupar o seu justo lugar de julgar os vivos e os mortos.

Esse é o Flamengo, uma força cósmica incompreensível, incompreendida, que deve ser amada com paixão, abaixo do Bom Deus...

O jogo? Foi um massacre!!!

A despeito de duas bolas na trave do Alvicenegro, foi nada menos que 80% de posse de bola no primeiro tempo...

E o gol? Foi contra?

Não, dirão os botachorões: isso foi para dar mais renda na final, para a Globo transmitir as finais do estadual com audiência recorde... Por quê? Porque o Flamengo está na final mais uma vez... Então, era para o Emerson, do Fla, o Sheik de Agadir, o Artilheiro das Mil e Uma Noites fazer o gol, mas como este não acertasse a meta chorona, o seu xará do Chorafogo, foi lá e disse: "Deixa que eu chuto!!!", e fez o gol da vitória Rubro Negra. Estava tudo combinado para dar mais renda...

Sinceramente? Vocês acham que depois de dois anos como vice, tendo a chance de encerrar a parada numa tarde, tendo três balas ainda no tambor, podendo matar o vilão, o mocinho vai deixar o bandido dar um tiro?

É porque eles são eles os vilões do filme...

É sério... Todo mocinho de filme de bangue bangue tem que sofrer para se redimir (basta assistir ao sensacional "Os Imperdoáveis", do Clint Eastwood).

Veja o mocinho apanhou o filme todo: salários atrasados, desconfiança da torcida, o técnico estigmatizado, a eliminação ridícula na Taça Guanabara, a derrota para o grande rival, perda do patrocínio, crise atrás de crise...

De repente, aos poucos o mocinho se levanta e vai vingando um a um dos seus inimigos... Mata o Tricolete, dá um tiro na mão do Bandido Chorão... E no fim do terceiro filme da série o que vai acontecer????

Como diria Aldir Blanc, "toda fita em série que se preza, reza, acaba sempre no melhor pedaço"

Até domingo!