O olho rútilo e a baba elástica e bovina do crioulo gritando a plenos pulmões: MENGO!

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Série "Me Engana que Eu Gosto"

Me engana que eu gosto I

Ok! Contrataram o Adriano e, dizem, vai sair quase de graça...

Custo a acreditar, mas realmente colocar um jogador que esteve prestes a abandonar o futebol no Flamengo, não deve mesmo ter custado tanto. O talento de Adriano é inquestionável: lembro que ele saiu justamente na mal fadada troca que trouxe o Vampeta... Puta merda!!!

Mas cheguei a ouvir uns e outros dizerem assim: "esse cara é um bonde"... Depois, essas mesmas viúvas choraram o defunto quando ele arrebentou, primeiro na Copa América e, depois, na Copa das Confederações.

O único e sério probleminha é que Adriano é um jogador que depende muito de seu estado físico para brilhar. Diferente de Ronaldo, por exemplo, que tem muito mais recursos técnicos, daí o seu sucesso na Espanha e relativo fracasso em suas passagens pela Itália (a primeira na mesma Inter de Milão de Adriano, foi boa, mas marcada pelas primeiras contusões). Adriano tem certas limitações, não tem a técnica de Ronaldo (e nem de um Romário, por exemplo), tem uma perna direita que é mais ou menos como as minhas duas: absolutamente nula. Sua esquerda, no entanto, é impressionante. Daí a grande virtude de Adriano, saber com o seu físico que tem e com alguma habilidade(é claro que ele tem infinitamente mais recursos que um Josiel, por exemplo, com todo respeito) colocar a bola a feição de sua mortífera canhota. Sabe se posicionar entre zagas fortes e ganhar dos zagueiros. Daí o sucesso de Adriano no futebol italiano, notabilizado pela capacidade de defender. Ser um atacante de suecesso na Itália não é fácil. Adriano logrou fazer isso.

Em três meses, dizem, ele estará com 100% de sua forma física. Acho ótimo... O problema é que o ataque do Flamengo tem problemas para serem resolvidos anteontem... O Adriano fora de forma é melhor que Obina, Josiel e Emerson juntos? Não sei... Pode ser... Mas e se não for?

Impaciência da torcida, reclamações e jejum do nosso ataque... Sei não... Mas baixou o espírito do meu amigo Jão Marcelo... O Jão é o cara mais pessimista do mundo. Ele não fica feliz quando vence: sente alívio... Aliás, vou falar de nossa conversa sobre o Tri e a hegemonia carioca na próxima postagem. Mas o espírito do Jão me diz o seguinte, "olha Negão, se o Adriano não der certo em um mês, você conhece a nossa torcida, a galera vai ficar impaciente e aí todo esse amor pelo Imperador e do Imperador com o Fla, a lua de mel acaba e o casamento fica uma bosta, como em "A nível de" de João Bosco e Aldyr Blanc...

Aí depois vai ser aquilo que a gente já tá cansado de ver...

Vamos torcer. A torcida tem que abraçar o Imperador, e este tem que pôr sua cabeça no lugar e, principalmente, corresponder ao amor passional deste torcida, como fez Ronaldo no Corinthians.

Me engana que eu gosto II

Ok... Só pode ser brincadeira de péssimo gosto falar em Ronaldinho Gaúcho no Fla.

Não que eu não queira. Se pudesse trazia logo os dois: Kaká, Ronaldinho Gaúcho e o Seedorf, que dizem que sempre quis jogar no Fla.

Mas é uma total incoerência... Convenhamos...

O clube mal tem dinheiro para pagar salários, vende o almoço pra comprar a janta. Deve ter como certas as saídas de Bruno, Léo Moura e Juan na janela do meio do ano. Isso se não aparecerem uns árabes oferecendo um caminhão de dinheiro para levar o "Magro de Aço" Angelim, que também ia querer, com toda justiça, aproveitar para fazer seu pézinho de meia aos trinta e tantos anos e o Kléberson, que cansado de salários atrasados, vai querem ir para a Ucrãnia receber um mundo de dinheiro... E por fim, não tem nem os tais 4 milhões de reais para comprar o Íbson, nem para renovar o empréstimo do Jônatas...

Então, vamos deixar de palhaçadinha e falar sério...

Qual será o time do Flamengo no Brasileirão?

Ao invés de falar contratações mirabolantes, o trabalho deveria ser esse: garantir a manutenção do elenco...

O resto é "Me engana que eu gosto".

Abraços

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Felicidades e Sucesso na vida Fábio Luciano!




"Quem trabalha no Flamengo já é abençoado. Vejo a alegria do Barata, do Babão, do Klebinho, os roupeiros (chora e para)... todo mundo que veste essa camisa seja no campo ou fora dele tem que agradecer. É bom demais." Fábio Luciano, capitão do Tricampeonato do Flamengo, em sua entrevista de despedida do futebol


Lendo a entrevista e depois vendo o vídeo, dá realmente ver o respeito que este jogador desenvolveu pela torcida e pelo Clube de Regatas do Flamengo. No entanto, não pude esquecer as declarações dadas pelo médio volante Vampeta em sua passagem pelo Flamengo:

"Eles fingem que me pagam, e eu finjo que jogo futebol"


É claro que não dá para falar de profissionalismo, em se tratando dos dirigentes do Flamengo, pois isso, salvo algumas exceções, passa bem longe da Gávea. Mas as palavras de Vampeta revelam não o amadorismo dos dirigentes, não só do Flamengo, mas do futebol de uma maneira geral
no Brasil, revelam uma outra coisa mais profunda, que diz respeito ao caráter e à dignidade de uma pessoa.

Fábio Luciano não foi criado no Flamengo, pelo contrário, chegou pronto, maduro para vestir a camisa do clube num momento difícil: uma eliminação bisonha da Copa Libertadores de 2007, (não menos bisonha que a de 2008, é verdade) o time na zona de rebaixamento, os salários em atraso, o futebol do Flamengo em crise. Mas Fábio Luciano entendeu de cara o que significa vestir esta camisa. Qual a importância que a torcida dá ao jogador que veste esta camisa. Curiosamente, Vampeta e Fábio Luciano jogaram também no Corinthians, e conhecem bem como são torcidas apaixonadas de clubes de massa como são Flamengo e Corinthians. Mas Vampeta nunca entendeu o que é jogar no Flamengo.

Um rápido corte e vamos para a cena da seleção sendo recebida no Palácio do Planalto pelo Presidente da República após a conquista da Copa do Mundo de 2002. Vampeta protagoniza uma cena bizarra, engraçada: com uma bandeira do Brasil amarrada no pescoço, como uma capa de super-herói, Vampeta dá um cambalhota na rampa do Planalto. Molecagem? Sim, engraçado, nada protocolar, uma anarquizada no poder... Legal...

Agora juntando a frase de Vampeta com seu comportamento na circusnstância acima descrita... Podemos aí tirar uma linha, não?

Vampeta é um moleque. Não sabe o que é respeito, não sabe o que é o Flamengo, aliás, não sabe o que é nada.

Ele pode até ser um bom sujeito, uma cara legal... Não sei, ele não é meu amigo... Mas ele nunca foi um bom profissional. Se não está satisfeito, faça greve, se organize, não jogue. Mas dizer aquilo mostra que a despeito de ter sido um bom jogador (é justo reconhecer) não era um bom profissional. Dizer aquilo demonstra desrespeito pelos colegas, pelos torcedores pelo futebol.

Fábio Luciano, ao contrário, que pode nem ser um bom sujeito ou um cara legal (o que eu duvido)... Ele também não é meu amigo, mas não apenas pelo que fez no Flamengo, mas pelas suas demonstrações de caráter e de profissionalismo, eu bem gostaria que fosse. E o bom profissional não precisa beijar o escudo do time para mostrar seu respeito e seu amor. Basta honrar o uniforme que veste.

Desde que me entendo por gente e acompanho futebol, o Flamengo teve três capitães que considero não apenas grandes líderes, mas excepcionais jogadores de futebol: Paulo César Carpeggiani, capitão do terceiro tricampeonato do clube e do primeiro título nacional do Flamengo; Leovegildo Lins da Gama Júnior, capitão do quinto título nacional do Flamengo e Zico, o (meu) eterno capitão do Flamengo. Todos os três foram exemplos como líderes e capitães do time, como jogadores e como pessoas que deram seu amor e seu brilho ao Flamengo.

Faço aqui uma homenagem e uma concessão a Fábio Luciano que em dois anos vestindo o uniforme do Clube de Regatas do Flamengo conseguiu se juntar a estrelas de brilho tão intenso quanto estes três grandes jogadores. Lamento sua despedida pois o futebol precisa de homens como você, dignos, respeitáveis, bons profissionais. Segue teu caminho e vai ser aquilo que mais desejas: ser um bom pai e bom marido, pelo menos melhor do que já é. Boa sorte e sucesso, pois te vais deixando saudades.

Abraços

domingo, 3 de maio de 2009

Quem voa mais alto é o Urubu!!!



P... C... Vai tomar no c... Que manda nessa p... é a torcida do Urubu!!!

Desculpem-me o desabafo... Mas eu não queria contar o final do filme...

Ao mestre Cuca, com carinho!!!

Discorri aqui sobre as fitas em série, aquelas antigas que o cinema estadunidense recuperou com filmes de Indiana Jones, "De volta para o futuro" e a melhor de todas, a primeira trilogia "Star Wars"... Aliás, foi esta mesmo que forneceu o melhor exemplo do que seriam as finais do Campeonato Estadual de 2009.

Minha amiga botafoguense, a atriz Isabel Pacheco, que ficou hornada com a homenagem de ser citada neste blog, ela mesmo me revelara não estava muito confiante. Como boa botafoguense, mantinha seu pessimismo, afinal, todo botafoguense tem certo pessimismo que diz sempre a eles: "olha, se alguma coisa pode dar errado, é porque vai dar". Superstições a parte, a semana já começou complicada para o lado deles: os dois principais jogadores do time, o meia atacante Maicosuel (começo a entender esse estranho nome, acho que é uma espécie de corruptela de Maxwell) e o atacante Reinaldo machucaram-se no último jogo. O Flamengo, no entanto, tinha também suas pedreiras para quebrar pelo caminho: um jogo escamado contra o Fortaleza em Volta Redonda no meio da semana. Alguns botafoguenses daqui chegaram a me dizer que se o Fla não ganhasse o Estadual, ia começar a descer a ladeira: perder o Estadual, eliminação na Copa do Brasil, o Adriano não ia assinar, etc.

Na verdade, esse monte de baboseiras ditas por alguns adversários me fizeram lembrar aquela história que contei no começo...

O Flamengo começou o Estadual como franco favorito, é verdade. Havia mantido a base da equipe de 2008, boa parte dos jogadores já estava no time, alguns há mais de quatro anos jogando juntos (um fenômeno no futebol: brasileiro uma equipe que tem sete jogadores que participaram das três conquistas consecutivas, em que pese a desorganização do futebol do Flamengo), um time "quase" montado, um técnico novo, motivado em busca de sua afirmação. Diferente dos demais adversários (não digo "rivais" porque nos últimos 14 anos não temos tido "rivais" em terras cariocas), que tiveram que praticamente montar equipes novas, alguns deles tendo que se reinventar das cinzas do último ano (o ex-vice e "rival" Vasco), outro cheio de dinheiro e mega-contratações de seu superpatrocinador não ganha título algum (que eles tentam comparar com a finada parceria com a Petrobrás - que rendeu ao Flamengo ao longo de 25 anos um título continental, quatro títulos nacionais e dez títulos estaduais) e o terceiro, com os dois últimos campeonatos atravessados na garganta.

Ao longo do campeonato, como todo herói, o nosso Urubu conheceu o inferno...

Sim, fomos ao inferno e lá vimos arder todas as nossas esperanças. Meu velho amigo João, um dos meus mais queridos amigos rubro-negros, mas com alma de botafoguense, curtida no mais terrível pessimismo, já de cara achava que o Cuca, além de não ter acertado ainda o time (e realmente acho que ele ainda não achou o ponto certo, que dê a regularidade necessária ao time), de seu destempero e despreparo, não era um vencedor e, ainda por cima, pé-frio. O mesmo disse Digão, meu livreiro da Folha Seca, que o Cuca não era técnico para o Fla, e que seus pés teriam vindo do extremo sul dos desertos da Patagônia.

Eu disse a ambos os dois que achava que o Cuca precisava era exatamente isso: encontrar-se com uma força vencedora como o Flamengo. Veja bem, embora adore meu amigo João, seu pessimismo não combina muito com ser Flamengo. Este cai muito bem na minha querida Isabel. Já o Digão é um daqueles flamengos como eu, mas tem as suas implicâncias, e quando cisma com um técnico ou jogador, o cara pode ser o Pelé, que não adianta... "Se fosse o Zico, ainda vá lá..." , responderia Digão, com um racionalismo cartesiano de fazer inveja ao próprio Descartes. Aliás, Digão distribuiu um belo presente no ano passado aos seus amigos: uma foto do Nelson Rodrigues, numa entrevista com o Zico, para a finada Manchete Esportiva, vestindo o Manto Rubro Negro - prova de inteligência do cronista que serve de inspiração e que forneceu o nome para este blog.

Mas nem de longe começara o nosso inferno. Seria exatamente no sábado de carnaval que as nossas fantasias seriam queimadas e algumas máscaras cairiam...

Porém, queria aqui fazer uma observação que faça justiça ao Cuca.

Os dois jogos mais marcantes desta temporada, as duas derrotas do time foram marcadas por dois jogos com arbitragens atípicas. O jogo contra o Resende, apesar do time não ter jogado bem, e mesmo com dois jogadores a menos ter perdido um caminhão de gols, foi marcado por duas expulsões polêmicas: a de Aírton, num penalti mal marcado e a de Fábio Luciano numa palhaçada provocada pelo árbitro da partida. Isso não é desculpa para a derrota, mas revela um sinal interessante sobre este jogo. O Flamengo não perdeu para o Resende, não fez corpo mole com os salários (eternamente) atrasados, o Flamengo perdeu para os seus próprios nervos. Com dois jogadores a menos, atrás no placar, o Flamengo perdeu para os seus nervos.

Contra o Vasco, deu-se a mesma coisa. O time passou a jogar melhor com um jogador a menos e teve a chance de abrir o placar (eis o grave problema que temos hoje na Gávea: o gol é um detalhe, mas que faz uma tremenda falta!!! - que venha o Imperador!!!). Não abriu e tomou o primeiro gol. Se reequilibrou, e o Vasco teve a bizarra expulsão de seu principal jogador, Carlos Alberto, o empate parecia que ia chegar. Eis que o juiz expulsa de maneira não menos bizarra o Léo Moura (ok, foi um carrinho por trás, etc, etc, etc), pois em lances parecidos na partida o juiz não agiu com o mesmo rigor. Arbitragem confusa, resultado: derrota do Flamengo.

Não estou responsabilizando as arbitragens pelas derrotas, pelo contrário. Era a cuca do Fla que não andava legal, foi a falta de cuca, o desequilíbrio emocional que trouxe as derrotas. E o time é o reflexo da cuca de seu treinador Cuca. Perdoem os trocadilhos, mas o Flamengo só perderia este campeonato para si mesmo. É tal a nossa hegemonia em terras cariocas que equilibrado e com os nervos no lugar, o Flamengo se torna imbatível.

Foi assim na semifinal com o time do superpatrocínioquenãoganhanada. Convenhamos, o Parreira é um bom estrategista? Hum... Sim... É... Né?

Mas ele precisa rever as suas idéias e conceitos. Seu sistema de jogo, ao invés de dar liberdade para os meias criativos de que o Fluminense dispõe, amarra e constrange estes jogadores que se tornam escravos do esquema. Eis o que aconteceu na Copa do Mundo de 2006: Parreira sufocou um dos melhores volantes do futebol mundial, Juninho Pernambucano, condenando-o ao banco. Não podia soltar seus laterais que não tinham mais fôlego e força física para atacar. E matou seus dois meias e mais criativos jogadores, Kaká e Ronaldinho Gaúcho, com aquele jogo de "cerca lourenço" com toques laterais.

Enquanto nosso mestre Cuca capricha nos temperos e arma um meio campo com quatro volantes que atuam atrás e na frente com toda a liberdade: dois cães de guarda, Aírton e Willians, dois jogadores que sabem marcar e sair jogando: Ibson e Kleberson. Falta ao Flamengo "aquele" camisa 10? É verdade... Imaginem que no melhor dos mundos o meio campo do Fla seria Jônatas, Íbson, Kleberson, Renato Augusto e Erick Flores... Com o Adriano na frente fixo, e os laterais subindo como jogam no Fla, seria um time irresistível... Mas vamos que vamos: não tem tu, vai tu mesmo... O fato é que o Fla de Cuca deu um nó no Flu do Parreira e não aplicou uma goleada histórica por total incompetência de nosso ataque (olha a responsabilidade do Imperador). Mas a Cuca do nosso treinador ainda tinha outros coelhos para tirar da cartola...

Por mais que se diga um monte de bobagens sobre a final da Taça Rio, posto que a Globo já tinha audiência garantida para as finais do Paulista com Ronaldo, a verdade é essa e que essa história de "dar mais renda" não existe quando falamos da torcida do Flamengo. A gente enche mesmo o Maracanã sozinho, fazer o quê se as outras torcidas não vão? Então, esse papo de renda, basta botar o Flamengo jogando com o Flamengo, que o Maraca vai lotar. É preciso parar com essa palhaçada, pois houve um tempo que só a torcida do Vasco tentava rivalizar com a nossa no anel do Maraca. Hoje em dia, acho que desistiram, pois nem eles mais...

Então, os botafoguenses vinham com a conversa de que "agora é para valer", que "naquele jogo o Botafogo não entrou em campo"... Ora diabo, era uma ilusão de ótica ou aquele time de preto e branco eram os reservas do Flamengo? E como eu disse antes, ali tinha jogador que perdeu para o Fla nos dois últimos anos, será que os caras não têm sangue? Eles não iam entrar em campo com tudo para acabar de vez com essa história de vice? Desculpe, mas se você tem a chance de matar um bicho feroz e deixa ele viver, é porque você quer ser comido por ele...

E o Urubu é um bicho feroz!!!

Essa ave de rapina cruel e mortífera não dá chance à sua presa. Não sei se foram as mudanças climáticas planetárias, se foram as mudanças na cadeia alimentar, o Urubu se tornou um predador cruel que não perdoa suas presas. Azar de quem imagina que o Urubu vai dar moleza. Já basta o que aconteceu no ano passado. Aquilo foi além das medidas. O Urubu está de volta e não vai dar mais moleza. Já conquistou em definitivo o Estado do Rio de Janeiro, ruma para a conquista nacional. Depois, destronara o condor dos céus das Américas, para enfim derrubar a águia americana e se tornar o maior predador planetário. Guardem estas palavras e depois não digam que eu não avisei.

Mas o Botafogo teve a sua terceira chance. Irão dizer alguns que o time do Capitão Severiano (sim ele foi rebaixado desde que se passou de General Severiano a Marechal Hermes e nunca mais voltou a ser o mesmo) merecia este título pelo "belo futebol que praticou ao longo da competição"... Peraí... Quem foi a equipe que terminou a competição com o maior número de pontos ganhos? Não foi o Flamengo? Apenas o Vasco fez um campanha que rivalizaria com a nossa... Mas enfim, eles precisam se apegar a alguma coisa, dizer qualquer coisa para justificar a sua eterna fama de coitados, de sofredores... Essa sofrência alvinegra me cansa...

E fomos, mais uma vez para os penaltis. Como em 2007, que eles ficam chorando uma suposta "roubalheira"... Pombas, os caras erram os penaltis e foi o juiz quem roubou???

Mais uma vez o anjo da guarda rubro-negro, o super Bruno, pegou três penaltis. Um deles numa defesa extraordinária no tempo normal.

Os caras estavam tão desesperados para entregar este título para o Fla, que ao longo destes jogos fizeram três gols contra: dois de Emerson e um de Alessandro (a bola bate nele no chute do Kleberson). E ficam dizendo que mereceram? Mereceram o quê? Tirar o lugar de vice do Vasco, isso foi o que eles mereceram.

Então, muito obrigado a todos os nossos clientes por mais uma vez nos conceder a preferência.

Eu sou Penta Tri com muito orgulho!

Abraços a todos...

P.S.: Paradoxo ou superstição, durante as três finais deste Tricampeonato me encontrava em terra haitianas. Se há uma boa lembrança que levo do Haiti, estas são muitas, uma das mais fortes será este tricampeonato curtido neste auto-exílio profissional.

P.S. 2: "O mal do boi é pensar que o Urubu está morto!!!"


quinta-feira, 30 de abril de 2009

O destemperado?

Antes de falar de Juan, que se tornou o novo menino mau do futebol, queria falar de Diego Souza, do Palmeiras e as cenas bizarras em que o meia se envolveu há cerca de duas semanas...

Não há dúvida alguma que o meia palmeirense desmonstrou total destempero em suas atitudes naquela partida. No entanto, caberia pensar aqui no que teria levado-o a tomar tal atitude.

Vamos então voltar no tempo...

O jogador está discutindo com o técnico santista, que lhe faz provocações, no momento em que se faz a substituição, e ocorre a entrada do zagueiro Domingos. Mal este entra em campo, ele vai diretamente e diz qualquer coisa no ouvido de Diego Souza, que lhe responde. O juiz expulsa os dois. Então, o jogador santista se atira no chão, simulando um golpe de Diego em seu rosto. Diego se irrita e parte em direção ao jogador, dizendo-lhe qualquer coisa. Aí a cena se complica. Diego não se conforma com a simulação engendrada por Domingos. Fica transtornado. Aliás, nunca vi algo do tipo, Diego parece louco, tamanha a sua irritação, não consegue ser contido pelos colegas. Já expulso, sai de campo, transtornado com Domingos. No entanto, quando a coisa parece finalmente resolvida, ele volta a campo e, finalmente, agride Domingos com um pontapé...

* * *

Eu tenho uma teoria...
Aliás, todo mundo tem uma teoria... Alguns têm coragem de exprimí-la...

Guardadas as devidas proporções, esse lance lembrou muito o lance de Zidane com Materazzi. O que teria feito Zidane perder (ou usar?) a cabeça daquela forma, sendo expulso naquele que poderia ser o jogo mais importante de sua vida? Não sei...

Diego aguentou o que podia ouvir, de Vágner Macini, técnico do Santos, de Domingos, de quem fosse. Não podia aguentar a mentira de ser acusado de agredir alguém quando não o fizera. Ficou transtornado. Parecia a implorar a Domingos que se levantasse, que não fizesse aquilo com ele. O mal já estava feito, ele estava expulso, o Palmeiras perderia o jogo, mas não aceitaria de modo algum uma mentira como aquela. Insistiu, brigou, implorou pedindo que ele não fizesse aquilo. Mas Domingos fez... Tanto fez que Diego, no auge do desespero toma a atitude final: "Ah, então tá bom! Eu te dei porrada, né? Então toma!!!". No auge de seu desespero, Diego faz aquilo que justamente dizia não ter feito: agride Domingos!

Pronto! Eis a obra! Eis o Homem!

Diego Souza, bom jogador, cujo futebol admiro, pela força física, chute forte, poder de marcação e talento. Cria de Xérem, mas com boas passagens por Flamengo e Grêmio, faz uma cagada sem tamanho que pode nos privar de suas virtudes...

Mas será que é correto acharmos que os desportistas tem que ser máquinas que só conhecem a virtude? Não são eles seres humanos sujeitos a qualquer destempero como nós?

Eu defendo Diego Souza com base na minha teoria: tudo tem um limite! Não é possível alguém me acusar de algo que não tenha feito. Como diria Elias Maluco, "Perdi, mas não me esculacha!"

Abraços

Viva o drible!!! Viva a catimba também!!! ou "O que disse Juan a Maicosuel"???


Eu não aprovo o comportamento do lateral do Flamengo Juan... Mas entendo...

Discutia com uma amiga chorafoguense que insistia que o Juan deveria ter sido expulso de campo no lance com o Maicosuel (aliás, que nome é esse??? Eu aturo os muitos "Maicons", mas os pais deste rapaz realmente superaram qualquer expectativa). Entre um suspiro e outro, ela argumentava racionalmente que o comportamento de Juan era uma conduta "antidesportiva". Argumentei que a falta cometida não fora lance para cartão vermelho (não foi mesmo, ele chega atrasado, mas não tem intenção de agredir o Maicosuel) e que o comportamento de Juan, embora ríspido não era possível atribuir a ele sequer um xingamento ao habilidoso meia-atacante do Botafogo. O cartão amarelo ficou de bom tamanho...

Insistia a minha amiga que o drible não fora humilhante... Aí eu discordo... Todo drible é humilhante! E só os pernas-de-pau não fazem recurso ao drible. É da natureza do drible humilhar o adversário... É bem verdade que há situações onde a humilhação é maior: o "chapéu," a "caneta" ou "ovinho", o "elástico" desconcertante, como o clássico drible de Rivellino em Alcir ou de Romário em Amaral, o "drible da foca" do Kerlon... As "embaixadinhas" se encontram num nível distinto, são uma demonstração de habilidade inútil, mas não deixam de enquadrar nas diversas formas de humilhar e vilipendiar o adversário. É da natureza do (bom) futebol humilhar o próximo... Mesmo quando não se quer, estamos humilhando o outro ao aplicar-lhe um drible, ao impingir-lhe uma derrota.

Aliás, toda essa polêmica em torno da atitude do Juan me lembra exatamente o lance que envolveu Kerlon e os jogadores do Atlético Mineiro. A entrada de Coelho no corpo de Kerlon, não visava a bola, mas simplesmente atingir o jogador do Cruzeiro. E o lance de Kerlon não parecia um drible inútil, mas progredia em direção à grande área para levar perigo ao gol do Atlético. Violência de Coelho? Estou de acordo, a entrada dele não foi apenas para deter o jogador, ele poderia simplesmente parar diante do jogador do Cruzeiro e cercar. Não ele vai com o corpo, com o cotovelo, com tudo sobre Kerlon.

Lembro-me que então muitos condenaram Kerlon pelo seu drible, cuja intenção se limitaria a impingir uma humilhação ao adversário. Insisto, todo drible é humilhante, há os mais humilhantes e os menos humilhantes.

Agora, querem inventar uma "punição preventiva". Isso é mais ou menos como "prender alguém sem julgar". Alguns argumentarão que há a "prisão preventiva", de fato, quando há o chamado "flagrante delito" ou quando há evidências notórias de que o criminoso pode se evadir do país e que sua culpa seja comprovada. Mas como dizer que Juan é culpado de alguma coisa? Culpado de quê? De passar um sabão no seu colega de profissão?

Ora bolas, alguém imagina que em alguma partida de futebol as pessoas passem o tempo trocando gentilezas: "Nossa, que belo uniforme!", "Que perfume é esse que você está usando?", "Essa chuteira fica superbem em você". Se Juan exprimiu em gestual intenso seu desagrado com Maicosuel, ele não o fez em alto e bom som - não pode ser dito que ele tenha xingado ou ofendido o jogador alvinegro (não consta que nenhum microfone ou a famosa leitura labial do Fantástico, tenha descoberto o que disse Juan a Maicosuel) .

Ao ler o livro de Roberto Sander sobre os anos 40 no futebol, a década sem Copas do Mundo, ele fala exatamente das diferenças entre o futebol brasileiro da época e uruguaios e argentinos, de quem nós brasileiros éramos fregueses de caderno. Além de bom futebol e organização tática, eles tinham exatamente aquilo que sempre nos gabamos: malandragem. Só que o que eles tinham era chamado de "catimba" por nós e autodenominada por eles como "milonga". Juan não foi malandro, mas quis "botar moral", dizer para Maicosuel que "não tem galo que cante no meu terreiro, me respeite".

Portanto, como disse, não aprovo o que Juan fez, mas entendo perfeitamente.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Ele voltou...


"Ele voltou, o boêmio voltou novamente Partiu daqui tão contente por que razão quer voltar"

Sim, ele voltou...

Não falo de qualquer um... Pelo contrário... Aliás, eu teria muitos motivos, como torcedor do Flamengo, para nunca mais falar dele. Mas eu também sou seu fã. Fã de seu futebol e de sua obstinação, de sua imensa capacidade de dar a volta por cima de situações mais do que adversas.

Estou falando de Ronaldo Fenômeno... Aliás, já algum tempo chamo-o carinhosamente de Ronaldo "Gordo". Não da forma pejorativa que os outros utilizam, mas pelo contrário, como um elogio. Ronaldo é gordo, mas é craque... Quero-o sempre gordo e sempre craque...

Na verdade, Ronaldo não partiu contente como o boêmio do clássico de Nelson Gonçalves...

Ele desceu aos infernos e caminhou pelas trevas... Teve seu talento e sua condição de "Fenômeno" questionados. "Ronaldo não é um craque". Alguns me diziam até que nunca tinham visto uma grande atuação dele...

A comparação é pesada, eu sei... Mas pouco antes da Copa de 70, Pelé era considerado velho demais para disputar um outro mundial. Seria a quarta Copa do Mundo do Rei do Futebol, e muitos diziam que ele já não era mais o mesmo, chegou-se a dizer que Pelé estava míope...

Zico sofreu muito com a sua contusão no joelho. Uns e outros também questionaram o grande craque, especialmente por conta do penalti perdido contra a França em 1986. Nem se lembravam que Zico voltou a cobrar um penalti naquela tarde e converteu, na disputa de penaltis e que o grande vencedor do dia, o craque francês Michel Platini errou sua cobrança.

Assim Ronaldo foi questionado. Envolveu-se em escândalos inexplicáveis como o caso dos travestis, confusões em boates, fofocas. Cigarro na mão, copos de bebidas, o craque nem podia respirar um momento, pois tudo se falava de Ronaldo, menos de seu futebol.

Mas Ronaldo é um exemplo para nós. Queiram ou não a sua capacidade de se recriar quando todos o dão por vencido e derrotado é mesmo impressionante. Há pouco menos um ano atrás acreditava-se que Ronaldo estava acabado para o futebol, que não voltaria jamais a jogar.

Pois ele voltou...


E sinceramente, o futebol agradece a volta de Ronaldo e sua volta por cima, fazendo dois gols em uma final de campeonato, um deles de puro oportunismo, de senso de colocação, de inteligência e de muita sorte. Aliás, como tem sorte este rapaz. Mas Ronaldo também tem competência e talento, Ronaldo é craque, e o segundo gol dele na partida é a prova cabal de seu incrível talento: um drible e um toque magistral por cima do goleiro.

Talvez com o passar dos anos Ronaldo possa ter deixado de ser um "fenômeno", talvez seja apenas um centroavante "normal", "comum" como qualquer outro. Porém, para mim ele sempre será um fenômeno, um ídolo, um verdadeiro herói do futebol, uma espécie de "guerreiro imortal", que a cada vez que tentam matá-lo, ele volta ainda mais forte, ainda mais poderoso...

"Impávido que nem Muhamed Ali, apaixonadamente como Peri
Traquilo e infalível como Bruce Lee"

Este é Ronaldo!


domingo, 26 de abril de 2009

Mocinhos e bandidos...


Na última postagem terminei dizendo, citando Aldir Blanc, que "toda fita em série que se preza acaba sempre no melhor pedaço". Falei também de "mocinhos e bandidos de bangue bangue".

Vamos falar sério... Um dos maiores méritos da trilogia "Star Wars", a legítima e primeira série, formada por "Guerra nas Estrelas", "O Império contra-ataca" e "O Retorno de Jedi", foi exatamente recuperar o sentido das antigas fitas em série: os revéses dos heróis ajudam a construir a sequência da história. Ou seja, no segundo filme da série, depois da gloriosa derrocada da Estrela do Mal e da vitória parcial da revolução republicana, o Império e Darth Vader retornam vitoriosos: Han Solo é congelado, Luke perde uma das mãos, tudo parece estar perdido...

Em "O Retorno de Jedi" recomeça a luta dos revolucionários contra o Império: primeiro recuperar Han Solo, depois os fracassos relativos no planeta verde dos Ewoks, mas a vitória final com a redenção de Anakin Skywalker ajudando o filho Luke a derrotar o Imperador malvado...

Eis a saga do tricampeonato rubro-negro...

O Chorafogo mereceu vencer? É justo dizer que em dado momento o Botafogo esteve mais próximo de consolidar sua vitória do que o Flamengo empatar o jogo. Sim, é verdade...

Mas quando eu digo que o Flamengo é uma força cósmica poderosa, lembro de um lance no jogo contra o Vasco, no nosso Pentacampeonato Nacional, quando Cássio arranca livre pela esquerda... É gol certo do Vasco, um contra-ataque perfeito... Então, por obra dos deuses rubro-negros, o voluntarioso lateral bacalhau tem uma distensão muscular e a bola sobra tranquila para o goleiro Gilmar.

Ora, nada mais óbvio: tem que haver emoção, é certo, mas o mocinho deve prevalecer no final...

Portanto, sigo aqui, tranquilo, apostando caixas e mais caixas de cerveja dominicana (prefiro a Prestige haitiana, mas os outros não) no meu Flamengo, o mocinho do filme.

Não importa o que tenha havido, no final, os mocinhos têm que vencer.


O Flamengo será campeão...


Abraços

segunda-feira, 20 de abril de 2009

O olho que enxerga de muito longe ou "São eles os vilões"



Houve um tempo em que Nelson Rodrigues, já perto do ocaso de sua vida, pouco enxergava das partidas de futebol, e nem por isso deixava de publicar suas crônicas no Jornal dos Sports. Ia sempre com alguém do lado, que lhe descrevia o jogo e o o que acontecia. Ele então, sentava à máquina e mandava a crônica do dia seguinte. Não sei se isso é verdade. Acho que li em "O Anjo Pornográfico", de Rui Castro...

Não importa. Importa é que depois de quase dois anos no Haiti, vi poucas vezes o Flamengo jogar. E nem importa que eu tenha conseguido através de alguns sites de internet ver trechos de jogos ao vivo ou os melhores momentos no globoesporte.com .

Importa que de longe estou sempre enxergando os jogos do Flamengo, como Nelson acompanhava os jogos no Maraca.

E hoje foi lindo...

A massa, mais uma vez acreditou, lembrando os jogos de dois anos atrás, quando começamos a cantar o tema da vitória e aquela arrancada linda do rebaixamento à vicê liderança do Brasileiro e à Libertadores.

Não importa também que tenha havido situações vexatórias como a derrota para o América do México, ou os jogos contra o Atlético-MG, contra a Portuguesa e contra o Goiás, ou contra o Resende neste carioca... Para mim pouco importa...

Meu amigo Jão costuma dizer que meu otimismo rubro-negro é exagerado. A culpa é do Zico...

È, a culpa é do Zico que fez acreditar que o Flamengo é sempre imbatível... E quando ele está batido é porque ainda não terminou. E para mim, nunca termina, só quando o Flamengo vence.

Eis o time que desceu aos infernos na Quarta-feira de Cinzas e ressuscitou no terceiro dia do domingo de Páscoa. Agora, ele caminha a dois passos do Paraíso, de subir aos céus e sentar à mão direita de Deus Pai todo poderoso (perdoem a blasfêmia) de onde há de ocupar o seu justo lugar de julgar os vivos e os mortos.

Esse é o Flamengo, uma força cósmica incompreensível, incompreendida, que deve ser amada com paixão, abaixo do Bom Deus...

O jogo? Foi um massacre!!!

A despeito de duas bolas na trave do Alvicenegro, foi nada menos que 80% de posse de bola no primeiro tempo...

E o gol? Foi contra?

Não, dirão os botachorões: isso foi para dar mais renda na final, para a Globo transmitir as finais do estadual com audiência recorde... Por quê? Porque o Flamengo está na final mais uma vez... Então, era para o Emerson, do Fla, o Sheik de Agadir, o Artilheiro das Mil e Uma Noites fazer o gol, mas como este não acertasse a meta chorona, o seu xará do Chorafogo, foi lá e disse: "Deixa que eu chuto!!!", e fez o gol da vitória Rubro Negra. Estava tudo combinado para dar mais renda...

Sinceramente? Vocês acham que depois de dois anos como vice, tendo a chance de encerrar a parada numa tarde, tendo três balas ainda no tambor, podendo matar o vilão, o mocinho vai deixar o bandido dar um tiro?

É porque eles são eles os vilões do filme...

É sério... Todo mocinho de filme de bangue bangue tem que sofrer para se redimir (basta assistir ao sensacional "Os Imperdoáveis", do Clint Eastwood).

Veja o mocinho apanhou o filme todo: salários atrasados, desconfiança da torcida, o técnico estigmatizado, a eliminação ridícula na Taça Guanabara, a derrota para o grande rival, perda do patrocínio, crise atrás de crise...

De repente, aos poucos o mocinho se levanta e vai vingando um a um dos seus inimigos... Mata o Tricolete, dá um tiro na mão do Bandido Chorão... E no fim do terceiro filme da série o que vai acontecer????

Como diria Aldir Blanc, "toda fita em série que se preza, reza, acaba sempre no melhor pedaço"

Até domingo!