O olho rútilo e a baba elástica e bovina do crioulo gritando a plenos pulmões: MENGO!

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Viva o drible!!! Viva a catimba também!!! ou "O que disse Juan a Maicosuel"???


Eu não aprovo o comportamento do lateral do Flamengo Juan... Mas entendo...

Discutia com uma amiga chorafoguense que insistia que o Juan deveria ter sido expulso de campo no lance com o Maicosuel (aliás, que nome é esse??? Eu aturo os muitos "Maicons", mas os pais deste rapaz realmente superaram qualquer expectativa). Entre um suspiro e outro, ela argumentava racionalmente que o comportamento de Juan era uma conduta "antidesportiva". Argumentei que a falta cometida não fora lance para cartão vermelho (não foi mesmo, ele chega atrasado, mas não tem intenção de agredir o Maicosuel) e que o comportamento de Juan, embora ríspido não era possível atribuir a ele sequer um xingamento ao habilidoso meia-atacante do Botafogo. O cartão amarelo ficou de bom tamanho...

Insistia a minha amiga que o drible não fora humilhante... Aí eu discordo... Todo drible é humilhante! E só os pernas-de-pau não fazem recurso ao drible. É da natureza do drible humilhar o adversário... É bem verdade que há situações onde a humilhação é maior: o "chapéu," a "caneta" ou "ovinho", o "elástico" desconcertante, como o clássico drible de Rivellino em Alcir ou de Romário em Amaral, o "drible da foca" do Kerlon... As "embaixadinhas" se encontram num nível distinto, são uma demonstração de habilidade inútil, mas não deixam de enquadrar nas diversas formas de humilhar e vilipendiar o adversário. É da natureza do (bom) futebol humilhar o próximo... Mesmo quando não se quer, estamos humilhando o outro ao aplicar-lhe um drible, ao impingir-lhe uma derrota.

Aliás, toda essa polêmica em torno da atitude do Juan me lembra exatamente o lance que envolveu Kerlon e os jogadores do Atlético Mineiro. A entrada de Coelho no corpo de Kerlon, não visava a bola, mas simplesmente atingir o jogador do Cruzeiro. E o lance de Kerlon não parecia um drible inútil, mas progredia em direção à grande área para levar perigo ao gol do Atlético. Violência de Coelho? Estou de acordo, a entrada dele não foi apenas para deter o jogador, ele poderia simplesmente parar diante do jogador do Cruzeiro e cercar. Não ele vai com o corpo, com o cotovelo, com tudo sobre Kerlon.

Lembro-me que então muitos condenaram Kerlon pelo seu drible, cuja intenção se limitaria a impingir uma humilhação ao adversário. Insisto, todo drible é humilhante, há os mais humilhantes e os menos humilhantes.

Agora, querem inventar uma "punição preventiva". Isso é mais ou menos como "prender alguém sem julgar". Alguns argumentarão que há a "prisão preventiva", de fato, quando há o chamado "flagrante delito" ou quando há evidências notórias de que o criminoso pode se evadir do país e que sua culpa seja comprovada. Mas como dizer que Juan é culpado de alguma coisa? Culpado de quê? De passar um sabão no seu colega de profissão?

Ora bolas, alguém imagina que em alguma partida de futebol as pessoas passem o tempo trocando gentilezas: "Nossa, que belo uniforme!", "Que perfume é esse que você está usando?", "Essa chuteira fica superbem em você". Se Juan exprimiu em gestual intenso seu desagrado com Maicosuel, ele não o fez em alto e bom som - não pode ser dito que ele tenha xingado ou ofendido o jogador alvinegro (não consta que nenhum microfone ou a famosa leitura labial do Fantástico, tenha descoberto o que disse Juan a Maicosuel) .

Ao ler o livro de Roberto Sander sobre os anos 40 no futebol, a década sem Copas do Mundo, ele fala exatamente das diferenças entre o futebol brasileiro da época e uruguaios e argentinos, de quem nós brasileiros éramos fregueses de caderno. Além de bom futebol e organização tática, eles tinham exatamente aquilo que sempre nos gabamos: malandragem. Só que o que eles tinham era chamado de "catimba" por nós e autodenominada por eles como "milonga". Juan não foi malandro, mas quis "botar moral", dizer para Maicosuel que "não tem galo que cante no meu terreiro, me respeite".

Portanto, como disse, não aprovo o que Juan fez, mas entendo perfeitamente.

Um comentário:

Unknown disse...

Me sinto honrada por ser citada em blog tão edificante!
A sua amiga é BOTAFOGUENSE! Aliás, não sei porque me dou ao trabalho de ler essas suas "flamenguises", na verdade sei sim para ler as bobeiras que nosso amigo Dummar comenta. rs. Eu até concordo com você, em partes, afinal futebol é coisa de macho e o que se diz em campo são ofensas sim e sempre foi e sempre será. O que discordo totalmente é na questão do drible. Não acho que o drible é humilhante, o drible faz parte do jogo (brasileiro, mas eu sou brasileira porra), assim como o passe, a roubada de bola, o gol, a defesa, etc. Que o nosso amigo Juan nervosinho da silva exagerou isso ninguém tem dúvida, se ele deveria ou não ser expulso é claro que meu coração alvinegro acha que sim, questão de ponto de vista. O que eu não posso concordar é com esses ataques de pelancas dos jogadores em geral que levam um drible. O "dibre" é o que há de mais lindo no futebol. Imagina o que o nervosinho faria com um Garrincha?!
As faltas e os xingamentos fazem parte, mas as ameaças não.

Ass: Cachorra chorona. kkkkkkkkk