
Houve um tempo em que Nelson Rodrigues, já perto do ocaso de sua vida, pouco enxergava das partidas de futebol, e nem por isso deixava de publicar suas crônicas no Jornal dos Sports. Ia sempre com alguém do lado, que lhe descrevia o jogo e o o que acontecia. Ele então, sentava à máquina e mandava a crônica do dia seguinte. Não sei se isso é verdade. Acho que li em "O Anjo Pornográfico", de Rui Castro...
Não importa. Importa é que depois de quase dois anos no Haiti, vi poucas vezes o Flamengo jogar. E nem importa que eu tenha conseguido através de alguns sites de internet ver trechos de jogos ao vivo ou os melhores momentos no globoesporte.com .
Importa que de longe estou sempre enxergando os jogos do Flamengo, como Nelson acompanhava os jogos no Maraca.
E hoje foi lindo...
A massa, mais uma vez acreditou, lembrando os jogos de dois anos atrás, quando começamos a cantar o tema da vitória e aquela arrancada linda do rebaixamento à vicê liderança do Brasileiro e à Libertadores.
Não importa também que tenha havido situações vexatórias como a derrota para o América do México, ou os jogos contra o Atlético-MG, contra a Portuguesa e contra o Goiás, ou contra o Resende neste carioca... Para mim pouco importa...
Meu amigo Jão costuma dizer que meu otimismo rubro-negro é exagerado. A culpa é do Zico...
È, a culpa é do Zico que fez acreditar que o Flamengo é sempre imbatível... E quando ele está batido é porque ainda não terminou. E para mim, nunca termina, só quando o Flamengo vence.
Eis o time que desceu aos infernos na Quarta-feira de Cinzas e ressuscitou no terceiro dia do domingo de Páscoa. Agora, ele caminha a dois passos do Paraíso, de subir aos céus e sentar à mão direita de Deus Pai todo poderoso (perdoem a blasfêmia) de onde há de ocupar o seu justo lugar de julgar os vivos e os mortos.
Esse é o Flamengo, uma força cósmica incompreensível, incompreendida, que deve ser amada com paixão, abaixo do Bom Deus...
O jogo? Foi um massacre!!!
A despeito de duas bolas na trave do Alvicenegro, foi nada menos que 80% de posse de bola no primeiro tempo...
E o gol? Foi contra?
Não, dirão os botachorões: isso foi para dar mais renda na final, para a Globo transmitir as finais do estadual com audiência recorde... Por quê? Porque o Flamengo está na final mais uma vez... Então, era para o Emerson, do Fla, o Sheik de Agadir, o Artilheiro das Mil e Uma Noites fazer o gol, mas como este não acertasse a meta chorona, o seu xará do Chorafogo, foi lá e disse: "Deixa que eu chuto!!!", e fez o gol da vitória Rubro Negra. Estava tudo combinado para dar mais renda...
Sinceramente? Vocês acham que depois de dois anos como vice, tendo a chance de encerrar a parada numa tarde, tendo três balas ainda no tambor, podendo matar o vilão, o mocinho vai deixar o bandido dar um tiro?
É porque eles são eles os vilões do filme...
É sério... Todo mocinho de filme de bangue bangue tem que sofrer para se redimir (basta assistir ao sensacional "Os Imperdoáveis", do Clint Eastwood).
Veja o mocinho apanhou o filme todo: salários atrasados, desconfiança da torcida, o técnico estigmatizado, a eliminação ridícula na Taça Guanabara, a derrota para o grande rival, perda do patrocínio, crise atrás de crise...
De repente, aos poucos o mocinho se levanta e vai vingando um a um dos seus inimigos... Mata o Tricolete, dá um tiro na mão do Bandido Chorão... E no fim do terceiro filme da série o que vai acontecer????
Como diria Aldir Blanc, "toda fita em série que se preza, reza, acaba sempre no melhor pedaço"
Até domingo!
Um comentário:
" Eu teria um desgosto profundo, se faltasse o flamengo no mundo..."
Renato Gaucho após a final de 95
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