O olho rútilo e a baba elástica e bovina do crioulo gritando a plenos pulmões: MENGO!

segunda-feira, 20 de abril de 2009

O olho que enxerga de muito longe ou "São eles os vilões"



Houve um tempo em que Nelson Rodrigues, já perto do ocaso de sua vida, pouco enxergava das partidas de futebol, e nem por isso deixava de publicar suas crônicas no Jornal dos Sports. Ia sempre com alguém do lado, que lhe descrevia o jogo e o o que acontecia. Ele então, sentava à máquina e mandava a crônica do dia seguinte. Não sei se isso é verdade. Acho que li em "O Anjo Pornográfico", de Rui Castro...

Não importa. Importa é que depois de quase dois anos no Haiti, vi poucas vezes o Flamengo jogar. E nem importa que eu tenha conseguido através de alguns sites de internet ver trechos de jogos ao vivo ou os melhores momentos no globoesporte.com .

Importa que de longe estou sempre enxergando os jogos do Flamengo, como Nelson acompanhava os jogos no Maraca.

E hoje foi lindo...

A massa, mais uma vez acreditou, lembrando os jogos de dois anos atrás, quando começamos a cantar o tema da vitória e aquela arrancada linda do rebaixamento à vicê liderança do Brasileiro e à Libertadores.

Não importa também que tenha havido situações vexatórias como a derrota para o América do México, ou os jogos contra o Atlético-MG, contra a Portuguesa e contra o Goiás, ou contra o Resende neste carioca... Para mim pouco importa...

Meu amigo Jão costuma dizer que meu otimismo rubro-negro é exagerado. A culpa é do Zico...

È, a culpa é do Zico que fez acreditar que o Flamengo é sempre imbatível... E quando ele está batido é porque ainda não terminou. E para mim, nunca termina, só quando o Flamengo vence.

Eis o time que desceu aos infernos na Quarta-feira de Cinzas e ressuscitou no terceiro dia do domingo de Páscoa. Agora, ele caminha a dois passos do Paraíso, de subir aos céus e sentar à mão direita de Deus Pai todo poderoso (perdoem a blasfêmia) de onde há de ocupar o seu justo lugar de julgar os vivos e os mortos.

Esse é o Flamengo, uma força cósmica incompreensível, incompreendida, que deve ser amada com paixão, abaixo do Bom Deus...

O jogo? Foi um massacre!!!

A despeito de duas bolas na trave do Alvicenegro, foi nada menos que 80% de posse de bola no primeiro tempo...

E o gol? Foi contra?

Não, dirão os botachorões: isso foi para dar mais renda na final, para a Globo transmitir as finais do estadual com audiência recorde... Por quê? Porque o Flamengo está na final mais uma vez... Então, era para o Emerson, do Fla, o Sheik de Agadir, o Artilheiro das Mil e Uma Noites fazer o gol, mas como este não acertasse a meta chorona, o seu xará do Chorafogo, foi lá e disse: "Deixa que eu chuto!!!", e fez o gol da vitória Rubro Negra. Estava tudo combinado para dar mais renda...

Sinceramente? Vocês acham que depois de dois anos como vice, tendo a chance de encerrar a parada numa tarde, tendo três balas ainda no tambor, podendo matar o vilão, o mocinho vai deixar o bandido dar um tiro?

É porque eles são eles os vilões do filme...

É sério... Todo mocinho de filme de bangue bangue tem que sofrer para se redimir (basta assistir ao sensacional "Os Imperdoáveis", do Clint Eastwood).

Veja o mocinho apanhou o filme todo: salários atrasados, desconfiança da torcida, o técnico estigmatizado, a eliminação ridícula na Taça Guanabara, a derrota para o grande rival, perda do patrocínio, crise atrás de crise...

De repente, aos poucos o mocinho se levanta e vai vingando um a um dos seus inimigos... Mata o Tricolete, dá um tiro na mão do Bandido Chorão... E no fim do terceiro filme da série o que vai acontecer????

Como diria Aldir Blanc, "toda fita em série que se preza, reza, acaba sempre no melhor pedaço"

Até domingo!

Um comentário:

Dummar disse...

" Eu teria um desgosto profundo, se faltasse o flamengo no mundo..."

Renato Gaucho após a final de 95