
"Quem trabalha no Flamengo já é abençoado. Vejo a alegria do Barata, do Babão, do Klebinho, os roupeiros (chora e para)... todo mundo que veste essa camisa seja no campo ou fora dele tem que agradecer. É bom demais." Fábio Luciano, capitão do Tricampeonato do Flamengo, em sua entrevista de despedida do futebol
Lendo a entrevista e depois vendo o vídeo, dá realmente ver o respeito que este jogador desenvolveu pela torcida e pelo Clube de Regatas do Flamengo. No entanto, não pude esquecer as declarações dadas pelo médio volante Vampeta em sua passagem pelo Flamengo:
"Eles fingem que me pagam, e eu finjo que jogo futebol"
É claro que não dá para falar de profissionalismo, em se tratando dos dirigentes do Flamengo, pois isso, salvo algumas exceções, passa bem longe da Gávea. Mas as palavras de Vampeta revelam não o amadorismo dos dirigentes, não só do Flamengo, mas do futebol de uma maneira geral no Brasil, revelam uma outra coisa mais profunda, que diz respeito ao caráter e à dignidade de uma pessoa.
Fábio Luciano não foi criado no Flamengo, pelo contrário, chegou pronto, maduro para vestir a camisa do clube num momento difícil: uma eliminação bisonha da Copa Libertadores de 2007, (não menos bisonha que a de 2008, é verdade) o time na zona de rebaixamento, os salários em atraso, o futebol do Flamengo em crise. Mas Fábio Luciano entendeu de cara o que significa vestir esta camisa. Qual a importância que a torcida dá ao jogador que veste esta camisa. Curiosamente, Vampeta e Fábio Luciano jogaram também no Corinthians, e conhecem bem como são torcidas apaixonadas de clubes de massa como são Flamengo e Corinthians. Mas Vampeta nunca entendeu o que é jogar no Flamengo.
Um rápido corte e vamos para a cena da seleção sendo recebida no Palácio do Planalto pelo Presidente da República após a conquista da Copa do Mundo de 2002. Vampeta protagoniza uma cena bizarra, engraçada: com uma bandeira do Brasil amarrada no pescoço, como uma capa de super-herói, Vampeta dá um cambalhota na rampa do Planalto. Molecagem? Sim, engraçado, nada protocolar, uma anarquizada no poder... Legal...
Agora juntando a frase de Vampeta com seu comportamento na circusnstância acima descrita... Podemos aí tirar uma linha, não?
Vampeta é um moleque. Não sabe o que é respeito, não sabe o que é o Flamengo, aliás, não sabe o que é nada.
Ele pode até ser um bom sujeito, uma cara legal... Não sei, ele não é meu amigo... Mas ele nunca foi um bom profissional. Se não está satisfeito, faça greve, se organize, não jogue. Mas dizer aquilo mostra que a despeito de ter sido um bom jogador (é justo reconhecer) não era um bom profissional. Dizer aquilo demonstra desrespeito pelos colegas, pelos torcedores pelo futebol.
Fábio Luciano, ao contrário, que pode nem ser um bom sujeito ou um cara legal (o que eu duvido)... Ele também não é meu amigo, mas não apenas pelo que fez no Flamengo, mas pelas suas demonstrações de caráter e de profissionalismo, eu bem gostaria que fosse. E o bom profissional não precisa beijar o escudo do time para mostrar seu respeito e seu amor. Basta honrar o uniforme que veste.
Desde que me entendo por gente e acompanho futebol, o Flamengo teve três capitães que considero não apenas grandes líderes, mas excepcionais jogadores de futebol: Paulo César Carpeggiani, capitão do terceiro tricampeonato do clube e do primeiro título nacional do Flamengo; Leovegildo Lins da Gama Júnior, capitão do quinto título nacional do Flamengo e Zico, o (meu) eterno capitão do Flamengo. Todos os três foram exemplos como líderes e capitães do time, como jogadores e como pessoas que deram seu amor e seu brilho ao Flamengo.
Faço aqui uma homenagem e uma concessão a Fábio Luciano que em dois anos vestindo o uniforme do Clube de Regatas do Flamengo conseguiu se juntar a estrelas de brilho tão intenso quanto estes três grandes jogadores. Lamento sua despedida pois o futebol precisa de homens como você, dignos, respeitáveis, bons profissionais. Segue teu caminho e vai ser aquilo que mais desejas: ser um bom pai e bom marido, pelo menos melhor do que já é. Boa sorte e sucesso, pois te vais deixando saudades.
Abraços
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