Imagino que os leitores deste blog esperassem que eu fizesse algum comentário sobre a estréia do Flamengo no Campeonato Carioca - não me acostumo com a ideia de chamar o "Carioca" de "Campeonato Estadual. Embora o antigo "Carioca" envolvesse apenas as equipes do extinto Estado da Guanabara, e atualmente o certame regional conte com a participação de equipes da Baixada Fluminense (Duque de Caxias e Nova Iguaçu), da Região dos Lagos (Cabofriense e Boavista - de Saquarema), do Interior do Estado (Macaé, Americano), do Vale do Paraíba (Resende e Volta Redonda), além das equipes do Rio de Janeiro: os quatro grandes, Flamengo, Vasco, Fluminense e Botafogo, o América e as equipes do subúrbio, o Madureira, o Bangu e o Olaria, acho que é mais charmoso chamar o campeonato do Estado do Rio de Janeiro de campeonato CARIOCA.
Estreou o Flamengo e deu-se o óbvio: mesmo sem ser brilhante o Flamengo venceu ao Volta Redonda. Brilhou a estrela do goleiro Felipe, com duas boas defesas quando foi exigido, apenas para constar que estivesse em campo. Léo Moura com a eficiência de sempre foi um motorzinho do time, fazendo um belíssimo cruzamento para o gol da surpresa do jogo, o atacante Wanderley, que não me impressionara no "ensaio" contra o América-MG, mas mostrou ótima movimentação e um gol de centroavante típico, bem colocado na área, boa cabeçada. Outra obviedade é que as mexidas do técnico Vanderlei Luxemburgo deram outra movimentação e espírito ao time, com a saída do burocrático Fierro e a entrada de Marquinhos, jogador que já no ano passado apareceu bem, com boa movimentação e o próprio Wanderley que além do gol, fez uma bela tabela com Marquinhos que quase resultou em um terceiro gol. O primeiro gol, atribuído ao meia-atacante Vander, em verdade um gol contra do zagueiro, foi um belo cartão de visitas do garoto vindo do Bahia, que já brilhara com um gol contra o América-MG. Será realmente um ótimo jogador para compor um elenco forte.
No entanto, as notas desanimadoras estão por conta do atacante Deivid, que alguns começam a achar que "nunca tenha sido um 'atacante de área'" ou que esteja "sacrificado pelo esquema do Luxemburgo", ou ainda, "que vai render mais quando os grandes reforços estrearem na temporada". O problema é que estamos esperando Deivid "render" desde agosto do ano passado, quando ele chegou ao clube e estreou "fora de forma", na "pressão pelos resultados", enfim, o que se supunha ser a razão de seu baixo rendimento em 2010, parece ser a constante, ou um problema crônico de um aatcante que vimos brilhar em Santos e Cruzeiro, mas que hoje não é nem sombra do que teria sido naquela época. Sobre Egídio e Renato Abreu, há pouco a acrescentar, senão que o primeiro inspira a necessidade da contratação urgente de um lateral esquerdo para ser titular, e o segundo, bem, ora, o nosso "Canelada" é aquilo de sempre: disposição e chute forte. Muito pouco para ser titular. Willians também não está, ainda, no seu melhor. Mas vai crescer.
Porém, esta postagem não é para falar do presente, mas para falar do futuro... Acabo de assistir ao jogo da seleção brasileira Sub-20, e ver em ação o nosso Diego Maurício, o "Drogbinha". Confesso que fiquei triste pelo fato de que ele não aproveitou em gols as boas oportunidades que teve, mas se movimentou muito e foi responsável pelo cruzamento que resultou no primeiro gol do time. Se Deivid não se acertar, o garoto vem com tudo para se tornar titular do ataque do Flamengo, embora fique cada vez mais claro que a opção de nosso treineiro deverá ser mesmo o seu xará Wanderley, jogador com características de jogar mais centralizado. Decepcionou-me também saber que Ney Franco preferiu o lateral Danilo, do Santos, ao nosso Rafael Galhardo, que me parece muito melhor que o primeiro. Aliás, foi por aquele setor que a Colômbia deu os maiores sufocos no time brasileiro durante a partida: nas costas do lateral Danilo e em cima do, na minha modesta opinião, superestimado Bruno Uvini, zagueiro do São Paulo, que cometeu um penalti bobo, que resultou no gol da Colômbia. Galhardo me parece mais jogador que o atleta do Santos. Mas é este olho rútilo e a baba elástica pendente que sempre me impedem de ver a verdade (ou a vida) como ela é. Ora, qualquer jogador do Flamengo é melhor que qualquer um outro... Basta vestir o Manto Sagrado que se tornará imediatamente um craque consagrado. Às vezes sinto que é isto que falta a um Deivid ou a um Egídio para tornarem-se craques indiscutíveis: acreditar na mística e nos poderes do Manto... Vejam o Charles Guerreiro, de volante medíocre, tornou-se lateral de seleção brasileira, com direito a jogar em Wembley (e perder um gol bizarro isolando a bola para fora do estádio) - penso que se estivesse com o Manto por baixo da camisa da seleção, não apenas faria aquele gol, mas faria mais dois e daria passes decisivos para outros três. Penso que todo jogador de seleção deveria vestir por baixo da camisa canarinho a camisa do Flamengo. Provavelmente despertaria neles aquele élan que Nelson Rodrigues fala em sua memorável crônica.
Mas de fato, não é também sobre a seleção sub-20 que eu quero falar, posto que em realidade, há apenas dois (bons) jogadores rubro negros em ação naquele time. Quero falar dos meninos da equipe juvenil, atual campeã carioca, que estão simplesmente arrebentando na chamada "Copinha", a Copa São Paulo de Futebol Junior. Ao ver aquele menino, Guilherme Negueba, com aqueles cambitos que lembram as infalíveis varetas de Jair da Rosa Pinto que liquidaram com o Arsenal, numa época onde os ingleses eram como seres míticos e senhores do absolutos do futebol, posto que fossem seus inventores, numa época onde o Brasil (e não por acaso, alguns rubro negros, como Domingos da Guia, Leônidas da Silva e Zizinho) começava a reinventar o futebol. Guilherme Negueba me conduz a sonhos felizes com um futuro alvissareiro de títulos e vitórias. Mas a equipe, que já chegou às semifinais na Copinha, eliminando favoritos como Cruzeiro e São Paulo, tem mais do que isso. Tem um abusado reserva chamado Rafinha, goleadores como Thomas, Lucas e Adrian, além dos bons volantes Vitor Hugo e Luís Felipe (Muralha), os zagueiros, já requisitados pelo Luxemburgo para o time de cima, Digão e Frauches. Um bom goleiro chamado Cesar e o menino que jogou no último domingo, um abusado atacante chamado Romário.
O que estes meninos me fazem pensar é naquelas preliminares do Maracanã do fim dos anos 70, início dos anos 80, quando vi pontificarem nas equipes de juniores do Flamengo jogadores como Leandro, Mozer, o saudoso goleiro Zé Carlos, vitimado por um câncer em 2009, o zagueiro Figueiredo, vítima de uma terrível acidente aéreo, ainda nos anos 80, o vingador Anselmo, o volante Élder e Julio Cesar, campeões brasileiros de 1983, Gilmar "Popoca", jogadores que precederam a brilhante geração campeã do Copinha de 1990, que tinha Rogério, Júnior Baiano, Nélio, Fabinho, Marquinhos, Paulo Nunes, Marcelinho, entre outros. O fato é que estes meninos, que já chegaram bastante longe na Copinha, faltam apenas dois jogos para o título, representam uma boa geração formada no clube que tem hoje um equipe que pode ser muito boa para lançar estes novos valores. Ora, jogar com um ídolo da importância de Ronaldinho Gaúcho e do peso de um Thiago Neves pode ser o desafogo para um menino desses estrear no time de cima sem grandes responsabilidades, numa zona de conforto que pode ser a garantia de sucesso.
Eu vi um novo céu e uma nova terra. E todos vestiam vermelho e preto, cantavam loas ao Deus Zico e a todos os seus prepostos: o Deus da Raça Rondinelli, o Deus do Drible, Julio Cesar Uri Gueller, o paredão Raul, o Maestro Junior, deus do futebol jogado por música, Leandro, o "peixe frito", deus da bola dominada, o Deus das Cobras Criadas, o Neguinho Bom de Bola Adílio, todos os deuses rubro negros que um dia andaram sobre esta terra. E os deuses sorriam felizes, porque começava a surgir, aos poucos, mas de modo muito claro e inexorável uma nova era de domínio dos deuses rubro negros. Assim como eles herdaram de Leônidas, de Domingos da Guia, de Evaristo e Dida, de Zizinho, o posto de Deuses da Nação Rubro Negra, começava a surgir uma nova era divina, de brilho intenso e de poderio rubro-negro.
Quem viver verá!

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